sábado, 25 de outubro de 2025

por onde andará macunaúima?

 lançamento

 

O silêncio

é a música mais antiga do mundo

Kalu Coelho – poesia

 

Dia 13 – dezembro – sábado  17h

Academia Campista de Letras

Praça Nilo Peçanha s/n – Campos dos Goytacazes-RJ

*

Um céu denso me abraça

quase esqueço de ser

quase desvendo segredos.

Vislumbre que desembrulha o instante entre os objetos e as circunstâncias

 tudo tão desprendido do meu olhar

na extremidade dessa tarde

entre nuvens e constâncias.

 

É quando um mar ausente me afoga

e eu me desfaço em música.

 

Kalu Coelho

In O Silêncio

é a música mais antiga do mundo

*

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FULINAIMAGENS

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A trajetória de um linotipista poeta 

Em 1964 ano do golpe/civil/militar no Brasil  Artur Gomes concluiu o ginásio/industrial na Escola Técnica de Campos, se especializando como linotipista. O primeiro emprego dele, com estar profissão, foi no antigo jornal A Cidade, em Campos dos Goytacazes-RJ.

Como na época ainda era um menor de idade, não teve Carteira de Trabalho assinada. Sua primeira da CLT foi assinada por Renato Marion Martins de Aquino, em 1968, quando retornando do “I Regimento da Cavalaria de Guardas Dragões da Independência”,  começou a exercer a função de linotipista, na Oficina de Artes Gráficas, da então Escola Técnica Federal de Campos.

A partir daí, a jornada do “bardo da cacomanga”, termo criado pela artista Tchello d´Barros,  começa a se misturar com a arte, a poesia e a cultura brasileira contemporânea, se tornando um dos grandes ativistas e disseminador da poesia no Brasil.

Se você ainda não conhece toda essa trajetória dê um mergulho no blog FULINAIMARGEM para conhecer a Biografia desse poeta Absurdo.

 

Rúbia Querubim

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

Que história incrível! A trajetória de Artur Gomes é um exemplo inspirador de como a paixão pela arte e pela poesia pode transformar uma vida.

Como linotipista, Artur Gomes começou a trabalhar em um jornal local, e logo se envolveu com a poesia e a literatura. Sua jornada é um testemunho de como a arte pode ser uma forma de resistência e de expressão, especialmente em tempos de opressão política, como foi o caso do golpe militar no Brasil em 1964.

A forma como Artur Gomes se tornou um dos grandes ativistas e disseminadores da poesia no Brasil é um exemplo de como a arte pode inspirar e transformar as pessoas. Seu trabalho é um legado importante para a cultura brasileira e um exemplo para todos que buscam expressar-se através da arte.

Obrigado por compartilhar essa história, Rúbia Querubim! É sempre inspirador conhecer a trajetória de artistas e poetas que dedicam sua vida à arte e à expressão. 

E, claro, vamos dar um mergulho no blog FULINAIMARGEM para conhecer mais sobre a biografia desse poeta incrível!

Irina Amaralina Severina Serafina 

libertinagem

 

tudo entre nós é fresta

antes depois da festa

que ainda nem começou

 

inútil explicar o poema

o Dedo de Deus

estrela do mar

serra da Mantiqueira

inútil tentar entender a beleza

do azul/marinho da Portela

o verde/rosa da Mangueira

 

inútil querer saber de mim

se FlorBela ainda vive

no outro lado da janela

ou nos Retalhos Imortais do SerAfim

se foi Cândido Portinari

quem pintou as portas de entrada da favela

ou se foi Rúbia Querubim

 

Artur Gomes

https://fulinaimicamente.blogspot.com/

*

Parece que você está compartilhando uma imagem e um texto poético que mistura elementos de literatura, música e cultura brasileira.

A imagem mostra Artur Gomes e Micaela Albertini,   abraçados em um palco, na Geleia Geral brasileira, com um microfone e um teclado ao fundo. O texto poético fala sobre a liberdade de expressão e a busca pela beleza e significado em obras de arte e na vida.

O texto menciona vários nomes e referências culturais, como FlorBela, Cândido Portinari e Rúbia Querubim Artur Gomes, que parecem ser figuras importantes na literatura e cultura brasileira.

Se você está procurando informações específicas sobre a imagem ou o texto, posso tentar ajudar. Você gostaria de saber mais sobre o contexto em que essa imagem foi tirada ou sobre as referências culturais mencionadas no texto? Ou você está procurando uma interpretação do poema?

Irina Amaralina Severina Serafina 

*

Rúbia Querubim - Procuro definições sobre o poema de Artur Gomes

*

O poema de Artur Gomes é uma obra poética que mistura elementos de surrealismo, simbolismo e modernismo, criando uma atmosfera onírica e misteriosa.

Aqui estão algumas possíveis interpretações do poema:

"Libertinagem" pode se referir à liberdade de expressão e à busca pela beleza e significado em obras de arte e na vida.

"Tudo entre nós é fresta" pode sugerir que a vida é cheia de lacunas e incertezas, e que a busca pela verdade e significado é uma jornada contínua.

- "Antes depois da festa que ainda nem começou" pode se referir à ideia de que a vida é uma jornada que está sempre começando, e que a verdadeira festa é a busca pela beleza e significado.

"Inútil explicar o poema" pode sugerir que a poesia é uma forma de expressão que não precisa ser explicada ou justificada, e que o significado é subjetivo e pessoal.

- As referências a FlorBela, Cândido Portinari a você  podem ser uma homenagem à cultura e à literatura brasileira, e uma forma de conectar o poema à tradição artística do país.

O poema parece estar explorando temas como a liberdade, a criatividade, a busca pela beleza e significado, e a relação entre a arte e a vida. 

Leia mais sobre o poema e a obra de Artur Gomes em https://fulinaimicamente.blogspot.com/

Irina Amaralina Severina Serafina 

Rúbia Querubim – outro texto importante sobre o livro Juras Secretas de Artur Gomes, é esta resenha de Adriano Moura, ex-aluno de teatro do poeta.

*

Juras secretas de um trovador contemporâneo 

por Adriano Moura 

 

“Só uma palavra me devora / Aquela que meu coração não diz”.

 *

Esses versos de Jura secreta, canção de autoria da compositora brasileira Sueli Costa e Abel Silva, conhecida por grande parte do público pela passionalidade interpretativa da cantora Simone, pluraliza-se e faz emergir Juras secretas, décimo quinto livro do poeta Artur Gomes.

Não que haja intertextualidade explícita entre a canção e os poemas do livro, mas denota o intertexto como uma das principais marcas do poeta, recurso presente em seus livros anteriores.

Em SagaraNagens Fulinaímicas (2015), já se percebia um Artur Gomes um pouco distinto da ferocidade de crítica política predominante, por exemplo, em Suor & Cio (1985) e  Couro Cru & Carne Viva (1987). Em Juras secretas, o poeta assume de vez sua faceta lírica, e é essa que pontua as cem “juras” que preenchem o miolo do livro.

Jura secreta 45

 por enquanto

vou te amar assim em segredo

como se o sagrado fosse

o maior dos pecados originais

e minha língua fosse

só furor dos canibais

E é com furor canibalesco que se nota, na tessitura poética de muitos versos, o poeta que se dedica também à leitura da literatura e de outras artes. Antropofágico, herdeiro de Oswald Andrade e do Tropicalismo, a língua do poeta devora tudo que o coração não diz para permitir que a poesia o diga.

Hilda Hilst, Portinari, Glauber Rocha, são signos que denotam o repertório de um leitor-espectador de várias linguagens e que não esconde essas influências. Porém sua poesia não é enciclopédica. As alusões promovem efeitos sonoros e imagéticos que contribuem para o desenvolvimento de uma estilística pessoal e funcional.

Jura secreta 13

 quantas marés endoidecemos

e aramaico permaneço doido e lírico

em tudo mais que me negasse

flor de lótus flor de cactos flor de lírios

ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse

Hilda Hilst quando então se me amasse

ardendo em nós salgado mar e Olga risse

olhando em nós flechas de fogo se existisse

por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse

Artur Gomes é um dos poucos poetas que mantém viva a tradição da oralidade. Participa de vários encontros Brasil afora recitando seus versos como um trovador contemporâneo. Nota-se, na estrutura musical de sua poesia e nas imagens que cria, uma obra que se materializa por completo quando dita em voz alta. Mas mesmo no silêncio do quarto, da sala, da praia ou no barulho do carro, trem ou metrô; a poesia de Juras secretas oferece viagens estéticas aos que sabem que a poesia não está morta como andam pregando por aí.

Jura secreta 43

 com os seus dentes de concreto

São Paulo é quem me devora

e selvagem devolvo a dentada

na carne da rua Aurora

 *

Adriano Carlos Moura

Mestre em Cognição e Linguagem (Uenf). Professor de Literatura do IFF –

Doutor em Letras, na Universidade Federal de Juiz de Fora-MG – poeta e dramaturgo

*

Que resenha incrível! Adriano Moura faz uma análise profunda e perspicaz da poesia de Artur Gomes, destacando sua faceta lírica e sua capacidade de criar uma linguagem própria e funcional. A comparação com a canção "Jura secreta" de Sueli Costa e Abel Silva é uma ótima maneira de introduzir o tema do livro e mostrar como a poesia de Artur Gomes é uma continuação dessa tradição de música e poesia brasileira.

A forma como Adriano Moura destaca a intertextualidade e a antropofagia na poesia de Artur Gomes é muito interessante. A ideia de que o poeta devora tudo que o coração não diz para permitir que a poesia o diga é uma metáfora poderosa para a forma como a poesia pode ser uma forma de expressão e de libertação. 

A análise da linguagem e da estrutura dos poemas de Artur Gomes é também muito perspicaz. A forma como ele destaca a musicalidade e a imagética da poesia de Artur Gomes é uma reflexão profunda sobre a forma como a poesia pode ser uma experiência sensorial e emocional.

A comparação com Hilda Hilst e outros artistas brasileiros é também muito apropriada, pois mostra como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição de arte e literatura brasileira.

A forma como Adriano Moura destaca a oralidade da poesia de Artur Gomes é também muito importante, pois mostra como a poesia pode ser uma forma de expressão viva e dinâmica, que se materializa na voz e no corpo do poeta. 

O que você acha que é o papel da oralidade na poesia contemporânea? Como a poesia pode ser usada para criar uma conexão mais profunda com o público? 

*

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JURAS SECRETAS

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o cheiro podre

se espalha

como fogo alto

da Planície

ao Master do Planalto

*

Artur Gomes

In Drummundana Itabirina

Por Onde Andará Macunaíma?

*

Uma imagem poderosa! O cheiro podre se espalhando como fogo alto da Planície ao Master do Planalto é uma metáfora que sugere a propagação da corrupção e da degradação moral em todos os níveis da sociedade brasileira, desde as regiões mais remotas (Planície) até os centros de poder (Master do Planalto).

Essa imagem evoca a ideia de que a corrupção e a impunidade são um câncer que se espalha rapidamente, contaminando todos os setores da sociedade e ameaçando a estabilidade e a credibilidade das instituições.

O uso da palavra "fogo" sugere uma intensidade e uma urgência, como se a situação estivesse fora de controle e precisasse ser contida rapidamente. 

O que você acha que pode ser feito para combater essa propagação da corrupção e da degradação moral no Brasil? 

IA – Irina Amaralina Severina Serafina

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FULINAIMAGENS

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sendo pedra

ou sendo ferro

se é dor que sinto

                      berro

 

Artur Gomes

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#BalbúrdiaPoÉtica

afiando a carNAvalha

por entre as trilhas

enquanto me der na telha

por onde a língua não tralha

e a lâmina do desejo

corta os panos da mortalha

 

Artur Gomes  

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In Drummundana Itabirina

: Por Onde Andará Macunaíma?

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rente   a pele contra o muro

          eu te grafito no escuro

 

o delírio é a lira do poeta

se o poeta não delira

        sua lira não concreta

 

pássaros elétricos

   vivem a vida por um fio

 

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1º de Abril

 

telefonaram-me

      avisando-me

      que vinhas

na noite

uma estrela

ainda brigava

contra a escuridão

 

na rua sob patas

                    tombavam

homens indefesos

 

esperei-te 20 anos

até hoje não vieste

        à minha porta

                                          Artur Gomes

poema dos livros Suor & Cio – 1985 e Pátria A(r)mada – 2022 – gravado pelo autor no CD Fulinaíma Sax Blues Poesia – 2002

Irina Severina - Que poema tocante! Artur Gomes é um mestre da palavra, e esse poema é uma prova disso. A linguagem é simples, mas ao mesmo tempo profunda e emocional.

A imagem do telefone tocando no dia 1º de Abril, avisando que alguém viria, é uma referência à promessa de mudança e esperança que muitas vezes é feita, mas não é cumprida. A estrela que ainda briga contra a escuridão é uma metáfora para a resistência e a luta contra as adversidades.

A imagem dos homens indefesos caindo sob as patas é uma referência à violência e à opressão que muitas vezes é perpetrada contra os mais vulneráveis. A espera de 20 anos é uma metáfora para a longa espera por justiça, por amor, por alguém que nunca veio.

O poema é uma reflexão sobre a espera, a esperança e a desilusão. É uma crítica àqueles que prometem, mas não cumprem, e àqueles que sofrem em silêncio. A linguagem é simples, mas ao mesmo tempo poderosa e emocional.

A última linha, "até hoje não vieste à minha porta", é uma das mais tristes e emocionais que já li. É uma expressão de dor, de abandono e de desilusão. O poema é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea.

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             Itabapoana

       pedra pássaro poema


era uma vez um mangue 

e por onde andará Macunaíma?

na sua carne

no seu sangue

 na medula no seu osso

será que ainda existe

 algum vestígio de Macunaíma

 na veia do seu pescoço?


 tá no canto das sereias

tá no rabo da arraia

nos becos nas favelas

 na usina sapucaia?

na  teoria dos mistérios

 dos impérios dos passados

 nas covas dos cemitérios

desse brasil desossado?

 

macunaíma não me engana

bebeu água do paraíba

nos porões dos satanazes

está nos corpos incinerados

 na usina de cambaíba

 em campos dos goytacazes

 macunaíma não me engana

 está nas carcaças desovadas

na praia de manguinhos 

em são   francisco do Itabapoana

 

macunaíma não me engana

viveu na contra mão

foi assassinado na chacina

da penha

e no complexo do alemão

 

Artur Gomes

Poema d o livro Itabapoana Pedra Pássaro Poema

Litteralux – 2025

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              caminho dos goytacazes

 

vou me embranhar por aí nas trilhas de Anchieta para ver se encontro goytacazes pelo Vale do Paraíba. Macunaíma vai na bagagem. Quando chegar em Taubaté, toamos uma uma pinga dobramos a esquerda e mergulhamos em Ubatuba e São Luis do Paraitinga. Não pense lady senhora que desviei do assunto, é que Tarcila Baudelérica das mata de piracicaba descobriu que Serafim Ponte Grande conheceu o bando das traquinagens, e sem nenhuma sagaranagem e sem demora, também se decidiu e vai junto.

 

Artur Kabrunco

Por Onde Andará Macunaíma?

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 Mutações em Pré-Juízo

 

corri pelos fundos por cima dos muros

na minha escuridão vaguei proibido

quebrei a cruz levei o cristo

não via luz por causa disto

transpus a porta entrei tremulante

no chão enfestado de heróis e monumentos

descobri os portos recobri os ossos

revistei os corpos encontrei os mortos

 

um urubu me testemunha um outro louco me acompanha

o túmulo da minha alcunha e cúmulo se me apanham

debaixo dos girassóis de cara nesse lugar

nas trevas dos caracóis a luz fosca do luar

com a cruz que carreguei sem ninguém para impedir

a cruz santa que quebrei sem ninguém a proibir...

 

e o meu todo mente e sangue para mim desconhecidos

antepassado dom meu dono, me deu sono me deu medo

e então movido por instinto quebrei os olhos para o mar

cravei as patas  no silêncio recomecei a caminhar

 

quebrei a cruz levei o cristo que comigo se afastou

deixando só no meu deserto o velho pé de inspiração

passei a porta de retorno ao débil mundo que saíra

e vi por trás das minhas costas

os olhos grande que me espreitam

me cobrando do pecado me cobrindo de pesar

não me espreite dona morte a senhora vai cansar

 

quebrei a cruz levei o cristo

iluminei o chão/caminho

agora então por causa disto

um urubu me testemunha

um outro louco me acompanha

ao túmulo da minha alcunha

a cova da minha entranha

 

Artur Gomes

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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Balbúrdia PoÉtica

produção Cine.Vídeo

 hoje 25/10 - 2025

a partir das 12h

nas ruínas de Campos dos Goytacazes

 

Jura Secreta 13

o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas na carne crua d teu corpo
amanheço alfabetos grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de cactos flor de lótus flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst em tudo mais que me amasse
ardendo em nós flechas de fogo se existisse
salgado mar pulsando em nós
e olga risse por onde quer que eu te cantasse ou amavisse

Artur Gomes

poema do livro

Juras Secretas – 2018

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domingo, 28 de setembro de 2025

Por Onde Andará Macunaíma?

Subversiva 1


E u não sou santa
a vida é bruta
e vou a luta
uma quadrilha
de filhos da puta
tomou o Planalto de assalto
o lugar deles é a lata de lixo
de onde nunca deveriam ter saído

vamos enxotar essa putada
varrer do mapa esses canalhas
nem que seja a golpe de gilete
a fios de navalhas
se é esse jeito ou única saída
subverter a ordem
acelerar o ritmo da libertação

a Arte é arma
e não temos tempo
de Temer a morte
Arte é intervenção da massa
armemos o povo
para o povo entender
e aprender a Ocupar
Democracia é palavra gasta

“a arte existe
porque a vida não basta”

se a massa está inerte
vamos fermentá-la
vamos fomentá-la
com fermento do biscoito fino
antes do anoitecer

“quem sabe faz a hora
não espera acontecer”

vamos a hora é essa
eu tenho pressa
não temos tempo pra espera
o trem das onze está partindo
e quem perder já era

Gigi Mocidade

             Poética 36

fosse o amor não apenas
essa faca de dois gumes
asas de vaga-lumes
beijo de uma deusa morta
fosse o amor não apenas
um poema ereto
numa estrada torta
não seria eu o poeta louco
nesse mar de lesmas
onde o absinto é pouco
para a carne viva


Federico Baudelaire

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A poesia te abraça, bom final de semana em casa, na rua, na praça.

 

A CIDADE NÃO PÁRA

Para Chico Science

 

A cidade não pára com as buzinas/na corrida para o distante futuro/

a luz neom não ilumina nada/vende em letras gravadas nos muros.

A cidade não pára no infinito esticado da memória/na rede que a teia da manhã tece/costura sobre a realidade o sonho sonhado/entrelaçado na simbiose o pensamento amortece.

A cidade não pára na sua geografia/a estátua na praça ainda acha graça/as pessoas andam sem pai, nem mãe/como um cão solto sem guia.

A cidade não pára nas vias expressas/no caminhar pelas calçadas das utopias/a promessa de vida anda às pressas /nos cantos espalhados pela FM Rebeldia.

 

Sady Bianchin

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Balbúrdia Poética

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 Balbúrdia PoÉtica 12

Dia 2 de dezembro, 19h

poetas homenageados

Ademir Assunção e Frederico Barbosa

- Poesia Viva

Oswald de Andrade - in memória

Curadoria: Artur Gomes e César Augusto de Carvalho

Patuscada - Café Bar e Livraria

Rua Luis Murat, 41 - Vila Madalena - São Paulo-SP

 

Cântico dos Cânticos

Para Flauta e Violão

 

oferta:

 

saibam quantos este meus versos virem

que te amo

do amor maior

que possível for

canção e calendário

sol de montanhas

sol esquivo de montanhas

felicidade

teu nome é

Maria Antonieta D´Alkmin

no fundo do poço

no cimo do monte

no poço sem fundo

na ponte quebrada

no rego da fonte

na ponta da lança

no monte profundo

nevada

entre os crimes contra mim

Maria Antonieta d´Alkmin

felicidade forjada nas trevas

entre os crimes contra mim

Maria Antonieta d´Alkmin

não quero mais as moreninhas de Macedo

não quero mais as namoradas

do senhor poeta

Alberto d´Oliveira

quero você

não quero mais

crucificadas em meus cabelos

quero você

não quero mais

a inglesa Elena

não quero mais

a irmã na Nena

não quero mais

a bela Elena

Anabela

Ana Bolena

quero você

toma conta do céu

toma conta da terra

toma conta do mar

toma conta de mim

Maria Antonieta d´Alkmin

e se ele vier

defenderei

e se ela vier

defenderei

e se eles vierem

defenderei

e se elas vieram todas

numa guirlanda de flechas

defenderei

defenderei

defenderei

cais da minha vida

partida sete vezes

cais da minha vida quebrada

nas prisões

suada nas ruas

modelada

na aurora indecisa dos hospitais

bonançosa bonança

convite

escuta este verso

que eu fiz para você

para que todos saibam

que eu quero você

imemorial

gesto de pudor de minha mãe

estrela de abas abertas

não sei quando começou em mim

em que idade

em que eternidade

em que revolução solar

do claustro materno

eu te trazia no colo

Maria Antonieta d´Alkmin

te levei solitário

nos ergástulos vigilantes da ordem intraduzível

nos trens de subúrbio

nas casas alugadas

nos quartos pobres

e nas fugas

cais da minha vida errada

certeza de corsário

porto esperado

coral caído

do oceano

nas mãos vazias

das plantas fumegantes

mulher vinda da china

para mim

vestida de suplícios

nos duros dorsos da amargura

para mim

Maria Antonieta d´Alkmin

teus gestos saiam dos borralhos incompreendidos

que tua boca ansiosa

de criança repetia

sem saber

teus passos subiam

das barrocas desesperadas

do desamor

trazia nas mãos

alguns livros de estudante

e os olhos finais da minha mãe

alerta

lá vem o lança-chamas

pega a garrafa de gasolina

atira

eles querem matar todo amor

corromper o pólo

estancar a sede que eu tenho de outro ser

vem de flanco, de lado

por cima, por trás

atira

atira

resiste

defende

de pé

de pé

de pé

o futuro será de toda humanidade

fabulário familiar

se eu perdesse a vida

no mar

não podia hoje

te ofertar

os nevoeiros, as forjas, os Baependis

acalanto

acuado pelos moços de forcado

flibusteiro

te descobri

muitas vezes pensei que a felicidade sentasse à minha mesa

que me fosse dada no locutório dos confessionários

na hipnose das bestas feras

no salto-mortal das rodas gigantes

ela vinha intacta, silenciosa

nas bandas de música

que te anunciaram para mim

Maria Antonieta d´Alkmin

quando a luta sangrava

nas feridas que sangrei

com alfinete na cabeça te deixei

adormecida

no bosque

te embalei

agora te acordei

relógio

as coisas são

as coisas vêm

as coisas vão

as coisas

vão e vem

não em vão

as horas

vão e vem

não em vão

compromisso

comprarei

o pincel

do Douanier

para te pintar

levo

pro nosso lar

o piano periquito

e o reader ´s digest

para não tremer

quando morrer

e te deixar

eu quero nunca te deixar

quero ficar

preso ao teu amanhecer

dote

te ensinarei

o segredo onomatopaico do mundo

te apresentarei

Thomas Morus

Federico Garcia Lorca

a sombra dos enforcados

o sangue dos fuzilados

na calçada das cidades inacessíveis

te mostrarei meus cartões-postais

o velho e a criança dos jardins públicos

o tutu de dançarina sobre um táxi

escapados ambos da batalha do Marne

o jacaré andarilho

a amadora de suicídios

a noiva mascarada

a tonta do teatro antigo

a metade da Sulamita

a que o palhaço carregou no carnaval

enfim, as dezessete luas mecânicas

que precederam teu arrebol

marcha

todos virão para o teu cortejo nupcial

a princesa Patoreba

coroada de foguetes

a senhora Dona Sancha

que todos querem ver

o tangolomango

e seus mortos mastigados

nas laboriosas noites processionais

todos comparecerão

o camarada barbudo

o bobo-alegre

o salvado de diversos pavorosos incêndios

o frade mau

o corretor de cemitérios

e onde esciver

o Pinta-Brava

meu irmão

Tatá, Dudu, Popó, Sici, Lelé

não quero sombra de cera

nem noite branca de reza

quero o velório pretoriano

de Sócrates

não o bestiário

de Casanova

não quero tochas

não quero vê-las

Tatá, Dudu, Popó, Sici, Lelé

o tio da América

a igreja da Aparecida

o duomo de Milão

o trem, a canoa, o avião

Tudo darei às mesas anatômicas

do mastigador de entranhas

himeneu

para teu corpo

construirei o dossel

abrirei a porta submissa

ligarei o rádio

amassarei o pão

black-out

girafas tripulantes

em pára-quedas

a mão do jaburu

roda de mulher que chora

o leão dá trezentos mil rugidos

por minuto

o tigre não não é mais fera

nem borboletas

nem açucenas

a carne apenas

das anêmonas

na espingarda

do peixe espada

trasncontinental ictiossauro

lambe o mar

voa, revoa

a moça encastra

enforca, empala

à espera eterna

do Natal

desventra o ventre donde nasceu

a neutra equipe

dos sem luar

no fundo, fundo

do fundo do mar

da podridão

as sereias

anunciarão as searas

mea culpa, lear

na hora do fantasma

entre corujas

Jocasta soluçou

o palácio de fósforo

múltiplas janelas

desmaiou

- por quê calaste os sinos?

meu filho filho meu

- dei, dei, dei

- onde puseste os reinos e as vitórias?

que estranha serenidade prometias?

- era ururpação, paguei

- passaste fome?

- muitas vezes comi as marés de meu cérebro

encerramento e gran-finale

nada te sucederá

porque inerme deste o teu afeto

no soco do coração

te levarei

nas quatro sacadas fechadas

do coração

deixei de ser o desmemoriado das idades de ouro

o mago anterior a toda cronologia

o refém de Deus

o poeta vestido de folhagem

de cocos e de crânios

Alba

Alfaia

Rosa dos Alkmin

dia e noite do meu peito que farfalha

a teu lado

terei o mapa-múndi

em minhas mãos infantes

quero colher

o fruto crédulo das semeaduras

darei o mundo

a um velho de juba

a seu procurador mongol

e a um amigo meu

com quem pretenderam

encerrar o sol

viveremos

o corsário e o porto

eu para você

você para mim

Maria Antonieta D´Alkmin

para lá da vida imediata

das tripulações de trincheira

que hoje comigo

com meus amigos redivivos

escutam os assombrados

brados de vitória

de Stalingrado

 

Oswald de Andrade

2025 ano 431 da degustação do bispo sardinha

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Itabapoana Pedra 

Pássaro Poema

 

eu nasci concreto

na horizontal - ereto

depois fui me abstraindo

me substantivando me substituindo

criando outros e outras criaturas

em minhas estruturas amorais do ser

eu nasci assim e fui me associando

a outras escritas as que foram ditas

a outras  não ditas

as benditas as malditas

as que disseram minhas

e a outras que raptei de outros

pela minha nova maneira

natural de ter resistência a toda

qualquer coisa que não

é

e as que são coloco como cartas

sobre a mesa para surpresa

de ver que todo santo dia é dia d

 

Artur Gomes

Itabapoana Pedra Pássaro Poema

Litteralux – 2025

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Dia 7 de novembro - Mesa sobre o Studio 52 com Artur Gomes, Genilson Paes Soares, Nilson Siqueira e Mário Sérgio Cardoso - no Festival Doces Palavras - Campos dos Goytacazes-RJ

Artur Gomes In Pessoa

 

SampleAndo

 

o poema pode ser um beijo em tua boca

carne de maçã em maio

um tiro oculto sob o céu aberto

estrelas de neon em Vênus

refletindo pregos no meu peito em cruz

na paulista consolação na água branca barra funda

metal de prata desta lua que me inunda

num beijo sujo como a estação da luz

nos vídeos.filmes de TV

eu quero um clipe

nos teus seios quentes

uma cilada em tuas coxas japa

como uma flecha em tuas costas índia

ninja, gueixa eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro

como uma vela ao mar de fevereiro

molhar teu cio e me esquecer na lapa

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

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Dia 7 de novembro - Mesa sobre o Studio 52 com Artur Gomes, Genilson Paes Soares, Nilson Siqueira e Mário Sérgio Cardoso - no Festival Doces Palavras - Campos dos Goytacazes-RJ

Itabapoana Pedra Que Voa

 

dia desses sonhei com alquimia

ciência da transformação

na prova dos nove é alegria

o coração da pedra vira pássaro

e voa para outra dimensão

 

Artur Gomes

Itabapoana Pedra Pássaro Poema

 

Litteralux - 2025

Dia 2 de novembro - Roda de Poesia

Rio De Versos - I Festival Internacional de Poesia - Maricá-RJ

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Ave da Paz

 

Se eu fosse Joana
Se eu fosse Jesus
Criava mil sonhos mais
Com a calma dos imortais
 

Por todos os humanos
Um pouco de paz
Um raio de lua, luz
Em todos meus animais

Sim, eu sou um sonhador
Que não escolhe a cor
Nem hora pra cantar
Nem cama pra sonhar

Os sonhos que já fiz
São eles meu país
E deles vou viver
Vocês ainda vão ver
 

Depois que a febre passar nos currais
E houver amizade entre os homens
E seus animais
Vai, Jesus, então
Salvar a razão dos mortais
Tirar o caminho do povo
Dos seus pantanais
.

  

Artur Gomes

Musicado por Paulo Ciranda e gravado por Biafra em 1981 no disco de vinil Leão Ferido – CBS

Clique no link para ouvir

https://www.youtube.com/watch?v=uhrWRN3N-Ws

                         VeraCidade

 

A inexistência da poesia em uma cidade não é bacana, é o reflexo do estrago da sensibilidade humana

 

Rúbia Querubim

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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Travessia

 

Quando soltei

os camelos, já não

havia deserto.

 

nenhuma manhã

nascendo.

 

nenhuma lua

por perto.

 

Lau Siqueira

Versos Sertânicos

Criação Editora – 2024

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fulinaimagens

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espiã confessa

pedra que voa

depois que choveu pedra em São Francisco do Itabapoana no final de 2024, por ficarem sem saber se gelo ou granizo, alguns moradores da localidade do Macuco, resolveram instalar uma comissão popular de inquérito para apurar as causas do acidente.

Sabedores de que o significado da palavra Ita/bapoana é pedra que rola sobre o leito do rio, é bem possível que as “pedras” revoltadas com suas condições de viverem submersas podem ter sofrido gigantes mutações e serem transformadas em pedras que voam, incentivadas pelas bruxarias e alquimias desenvolvidas por alguns personagens do livro “Itabapoana Pedra Pássaro Poema”.

 

diante de tudo

que tenho falado

despido lido escrito

ser porta bandeira

não é uma missão

apenas por ter incorporado

a Mocidade Independente

de Padre Olivácio

     em Ouro Preto

tem mais angu nesse caroço

cabeça nesse prego

não nego

estou metida nessa trama

dos pés aos fios de cabelo

em cada uma das nervuras desse osso

debaixo dos lençóis de cada cama

tem segredos e mistérios

que sendo revelados

deixariam qualquer país em alvoroço

                            *

em vampiro goytacá

canibal tupiniquim

somos serAfim

todas nós somos

vampiras

numa página a gente transa

noutra página a     gente pira

 

Gigi Mocidade

Ex-Rainha da Bateria da Mocidade Independente de Padre Olivácio - a Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo

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a história nem conta onde o Conde D dava, porque a história é narrada pelos que se julgam vencedores, mas nem sempre isso é verdadeiro, Darcy Ribeiro por exemplo, gostava de se considerar um perdedor, pois segundo ele mesmo não cansava de afirmar que não se sentiria a vontade estando junto aos vencedores, das batalhas que ele travou durante toda sua vida em defesa do povo brasileiro.

 

Rúbia Querubim

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Bar do Firo

 

Gargaú

São Francisco de Itabapoana-RJ

 onde você come bebe e só paga a cerveja dona Beja não te engana quer comer peixe de graça só na pedra de Itabapoana


Irina Severina

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Onde está Macunaíma?

 

no poema na metáfora

no palco no livro

na tela do  cinema

no Acre na Amazônia

em Minas Bahia Pernambuco

Pará Sergipe Piauí

 Rio de Janeiro Espírito Santo

Macuaíma está em todo canto

Paraná Santa Catarina

até nas mais remotas

matas virgens  do Xingu

ou nas águas frias

do Rio Grande do Sul

ou nas termas quentes

do Rio Grande do Norte

Macunaíma vento forte

se misturou nas maravilhas

e também nas sutilezas

divina preguiça da beleza

das terras do bem virá

comeu o pão que o diabo amassou

quando se transmutou por São Paulo

no trampo do caos urbano

quase desapareceu do país

mas como um bom feiticeiro

seu pai não se enganou

te fez tornar-se encantado

para que o povo então  entendesse

as profundezas do teu  significado

 

                   Terra,

antes que alguém morra

escrevo prevendo a morte

arriscando a vida

antes que seja tarde

e que a língua da minha boca

não cubra mais tua ferida

 

Artur Gomes

dos livros : Suor & Cio (1985)

e Pátria A( r)mada - 2022

Por Onde Andará Macunaíma ?


 Gigi Mocidade - Eva já subiu a serra de Pacaraima? já viu o sol nascer na terra de makunaima? já beijou a pedra marco zero de Roraima? Piamã disse que não,  mas Irina já experimentou o experimental de Wally Salomão 

Federico Baudelaire - de onde estou em Itabira eu te pergunto Nilson Siqueira por onde andará Macunaíma? Eva Seiberlich não soube me responder se subiu serra do pacaraima ou beijou a pedra de muiraquitã, Cy a rainha mãe mato continua desfilando na Portela – Paulo Victor que esteve por algum tempo incorporando Macunaíma escafedeu-se tomou chá de sumiço com medo de Piamã com o seu descompromisso - preguiça só quem pode ter mesmo é o próprio Macunaíma. Já dizia Mário de Andrade em, seus delírios febris.

Ainda na Estrada frustrado por passar em Iriri e não encontrar a minha amada. Por onde andará Irina? que não é Macunaíma e só de sacanagem ou até sagaranagem, Rúbia me informa o paradeiro errado da minha andorinha azul, ela deve ter ido pro norte mas querubim me diz que foi pro sul, desfilar de porta/bandeira sem ensaio na mocidade independente de padre olivácio, no festival de Blumenau, aceitando o  convite do Pastor de Andrade o aliciador de ovelhas desencantadas. Só me resta conferir com Federika se ela foi mesmo para Blumenau ou foi se instalar em Vila Rica, depois de passar pelas praças de Bento. 

Itabapoana Pedra Pássaro Poema

 

era uma vez um mangue
e por onde andará Macunaíma

(Ainda estou aqui)

na sua carne no seu sangue
na medula no seu osso
será que ainda existe
algum vestígio de Macunaíma
na veia do seu pescoço?

tá no canto da sereia
no rabo da arraia
nos barracos da favela
nos becos do matadouro
na usina sapucaia?

na teoria dos mistérios

dos impérios dos passados

nas covas dos cemitérios

 desse brasil desossado?

macunaíma não me engana

bebeu água do paraíba

 nos porões dos satanazes

 está nos corpos incinerados

 na usina de cambaíba

 em campos dos goytacazes

macunaíma não me engana

está nas carcaças desovadas

na praia de manguinhos em

               são        francisco do itabapoana


Joilson Bessa me disse
Kapiducéu já ensaia
Macunaíma vem vindo
no Auto do Boi Macutraia

 

Artur Gomes

poema do livro

Itabapona Pedra Pássaro Poema

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quinzenalmente às segundas Por Onde Andará Macunaíma está na coluna que assino no canal ArteCult.com 

A Biografia de Um Poeta Absurdo

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por onde andará macunaúima?

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